O ensino através da simulação realística em obstetrícia aprimora o conhecimento dos protocolos de atendimento que reduzem o sofrimento durante o parto.

No Brasil, 54% dos partos realizados são cesáreas, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que essa média não ultrapasse 15%. Além disso, 84% deste tipo de parto são praticados por mulheres de classe média alta através de planos de saúde. Trata-se da maior taxa de cesáreas do mundo, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Quando se trata de gestantes que utilizam o Sistema Único de Saúde (SUS), esse número cai para 26%.

Com base nesses números, em março de 2015 a ANS, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein (SP) e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), e com o apoio do Ministério da Saúde, desenvolveram o projeto Parto Adequado. O objetivo da ação é incentivar o parto normal através de procedimentos inovadores e reduzir a ocorrência de cesáreas desnecessárias na saúde suplementar e no SUS, melhorando assim a qualidade do atendimento e a segurança da mulher e do bebê. Com apenas seis meses, conforme o primeiro balanço realizado, o projeto conseguiu aumentar em 7,4% a taxa de partos normais nos 42 hospitais cadastrados para participar da ação.

Simulação – No que diz respeito ao objetivo de reforçar as práticas de parto natural, o ensino através da simulação realística aplicado no setor de saúde é um grande aliado nas áreas de Ginecologia e Obstetrícia. A modalidade de ensino tem sido aplicada com sucesso, com o objetivo de aprimorar o conhecimento em torno dos protocolos de atendimento que objetivam evitar o sofrimento durante o parto.

Seja através da utilização de manequins para a prática de procedimentos com fórceps, ou técnicas que simulam os diversos tipos de situações que devem ser treinadas anteriormente pelos profissionais de saúde, o ensino através da simulação realística se mostra uma ferramenta eficaz na reprodução de cenários clínicos.

Consequentemente, além de ampliar o repertório de adversidades para um melhor treinamento do profissional de saúde, as vantagens do estudo simulado em obstetrícia possibilitam replicar o mesmo cenário, desde as situações mais comuns até as mais graves, repetidas vezes, sem riscos e com toda a estrutura voltada para a reflexão dos casos estudados.

 

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Estrutura de ponta – Na Bahia, o projeto Parto Adequado ganhou um importante aliado. O INESS – um dos mais avançados centros de ensino por simulação em saúde do Nordeste, sediado em Salvador (BA) –, inaugurou, em 2015, o Núcleo de Ginecologia e Obstetrícia, em acordo com a proposta da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) de incentivar o parto natural e atender à grande demanda pelo procedimento em todo o Estado.

Com o novo núcleo, uma nova coordenação foi criada sob a direção do médico ginecologista e obstetra Dr. Antônio Carlos Vieira Lopes, professor emérito da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ex-presidente da Associação Bahiana de Medicina (ABM). “Já estamos oferecendo o curso FORSIM (Fórceps Obstétrico por Simulação), que é indicado para médicos que prestam assistência ao parto normal, ensinando as habilidades necessárias para a aplicação dos diferentes tipos de fórceps. Os alunos participam de estações de habilidades com manequins que simulam a realidade para prática das manobras pela técnica “ver fazer e fazer”, utilizando cenários realísticos para seu exercício. Ao término, os alunos estarão aptos a indicar e aplicar o fórceps adequado para cada situação. “São procedimentos que precisam ser utilizados nos casos em que o parto natural não evolui para a expulsão natural do feto e a cesárea também não é recomendada”, explica Dr. Vieira Lopes.

Simulação – Iniciativa pioneira em conjunto com a Associação Bahiana de medicina (ABM), o INESS disponibiliza aos estudantes e profissionais de saúde uma estrutura com a envergadura e expertise dos mais modernos complexos de simulação em saúde do País. “O INESS apresenta o que há de mais avançado em termos de estrutura e equipamentos. É o mais moderno em tecnologia de simulação”, assegura Dr. Izio Kowes, médico cirurgião e coordenador geral do INESS.

“O ano de 2015 foi praticamente dedicado à ginecologia obstetrícia e nós abrimos um leque de cursos voltados para o atendimento ao parto. E para isso, convidamos o professor Dr. Antônio Carlos Vieira Lopes, um nome reconhecido internacionalmente. O nosso objetivo com essa iniciativa é reforçar as práticas de parto natural, em face ao grande número de cesáreas que são realizados no Brasil”, completa.

Conforme Dr. Kowes, a prática através da simulação possui vários aspectos que complementam o ensino tradicional. “A simulação trabalha com a vivência, envolvendo três esferas: cognitiva (conhecimento), psicomotora (ação) e a afetividade (emoção). E o envolvimento dessas três esferas permite que o profissional absorva e incorpore melhor o conhecimento”. Ele reforça ainda a possibilidade que a modalidade tem de, além do conhecimento técnico, trabalhar com aspectos comportamentais como relacionamento e liderança, e simular os muitos tipos de situações de trauma.

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